Significado dos nomes científicos das aves brasileiras
A etimologia dos nomes científicos das aves aqui apresentada é o resultado do esforço coletivo de todos os usuários que inseriram e inserem valiosas informações que beneficiam não somente aos demais usuários, como também a toda a comunidade de observadores de aves, ornitológica e visitantes em geral. Agradecimentos a todos os que dispensaram um pouco do seu tempo para compartilhar o seu conhecimento.
Histórico
Desde tempos imemoriais o ser humano procura nomear as coisas e os seres que o cercam para que assim possa distingui-los e compreendê-los em seu mundo. O primeiro sistema de classificação das espécies foi criado por Aristóteles, no século IV a.C. e continuou a ser desenvolvido por demais estudiosos gregos, atingindo o seu auge com Plínio o Velho, que no ano de 77 d.C. completou sua “Naturalis Historia”. Com um total de 37 volumes, trata-se de um vasto compêndio das ciências antigas onde citou o conhecimento científico até o começo do cristianismo.
O sistema moderno de classificação foi criado por Carl von Lineu, em 1758, com a nomenclatura binomial (gênero e espécie) e a hierarquia que conhecemos hoje. Lineu (1707-1778), o pai da taxonomia moderna, escreveu em latim, mas manteve boa parte dos nomes gregos originais.
Regras para se nomear uma espécie
A definição de um novo nome científico ou a mudança de nome de uma espécie é feita por um ou mais autores de um ato nomenclatural publicado conforme os critérios definidos no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica. Na maioria das vezes esses autores são estudiosos especialistas e tal ato nomenclatural será um artigo publicado em um periódico científico especializado revisado por pares, mas não há exigências de credenciais e algumas outras publicações (como livros) também são válidas. Controvérsias que perdurem na literatura científica poderão ser solucionadas pela Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN), organização que cuida desses registros globalmente. A organização foi fundada em 1895 seguindo os princípios elaborados por Lineu. De acordo com a Wikipedia os principais deveres da ICZN são:
levar em consideração, por um período e pelo menos um ano antes de um congresso, toda proposta de alteração do Código;
submeter aos congressos recomendações para o esclarecimento e modificação do Código;
formular declarações (emendas provisórias), que incorporam tais recomendações;
formular opiniões e diretrizes em questões de nomenclatura zoológica que não envolvam alteração do Código;
compilar listas oficiais de nomes e trabalhos aceitos e índices oficiais de nomes e trabalhos rejeitados em zoologia;
apresentar aos congressos relatórios de seus trabalhos;
incumbir-se de outros deveres que os congressos possam determinar.
Saiba mais sobre a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) no sítio http://iczn.org/
Filogenia
A filogenia é a representação da história das relações de parentesco entre as espécies. Quando estudamos as relações de parentesco entre duas espécies, teoricamente, houve uma espécie ancestral comum a elas, a que as originou. Para qualquer três espécies, acredita-se que duas delas têm um ancestral comum e que não é comum à terceira, exceto se as três foram originadas simultaneamente. Se aplicarmos esse raciocínio a todas as espécies, obteremos a imagem de uma enorme sequência de divisões que fragmentaram desde a primeira espécie ancestral, o ancestral de todos os seres vivos, até as espécies existentes hoje em dia, supondo-se que a vida na Terra surgiu de uma única vez. Existe apenas uma história das relações de parentesco entre as espécies. A filogenia de um determinado grupo de espécies é elaborada com bases em diferentes dados, diferentes evidências, que são interpretados pela pessoa que estuda esse caso particular. Como as informações nunca são completas e há, ainda, o problema da livre interpretação dessas informações por parte do autor, a filogenia sempre será uma representação hipotética que nos dá uma ideia de como aquele determinado grupo de espécies estão relacionadas entre si. No entanto, ela jamais será a exata história “genealógica” daquele grupo. Podem existir mais de duas filogenia para o mesmo grupo, porque depende do autor e dos caracteres que ele seleciona como importantes para estabelecer as relações de parentesco entre as espécies estudadas, o que é significativo para ele pode não ser para outros. O importante da filogenia é que ela é uma ferramenta que nos auxilia no estudo da evolução de um grupo ou, de uma determinada característica dentro de um grupo.
O que querem dizer os nomes e termos científicos
Ao contrário do que é difundido em diversas fontes, os nomes científicos dos animais não são “latim ou latinizado”. Apenas parte dos nomes é derivado do latim, por questões históricas. O Código Internacional de Nomenclatura Zoológica - ICZN deixa claro que um nome pode ser derivado de qualquer língua e pode inclusive ser uma combinação aleatória de letras, desde que formem sílabas vocalizáveis. Não há, em todo o ICZN, nenhum artigo normatizando qualquer aspecto relacionado à pronúncia. Assim, não faz sentido querer aplicar normas de pronúncia latina aos nomes científicos, conforme defendem algumas pessoas que ignoram o histórico da nomenclatura científica zoológica e do seu Código Internacional. Adicionalmente, mesmo dentro do latim (uma língua morta!) há variantes conhecidas de pronúncia, por exemplo: o C tanto pode ter som de K como de S – não supreende, assim, que a palavra latina caesar tenha dado origem tanto a “césar” (título imperial, depois convertido em nome próprio) quanto às palavras “Czar” e “kaiser” (alemão).
Em síntese, você pode até ter uma pronúncia preferencial (ex. regras do latim clássico aos nomes verdadeiramente latinos), pode até mesmo optar por aplicar universalmente regras de “latim científico” (que é uma invenção moderna e não é a língua latina!) a todos os nomes, mas ninguém pode dizer que determinada pronúncia está verdadeiramente correta ou errada. Preocupe-se em admirar as aves e outros organismos, não com pronúncia. Se as pessoas conseguem estabelecer comunicação, isso basta.
Importante:
Os termos transliterados muitas vezes passaram por um processo interpretativo e, como a essência de uma página Wiki é ser colaborativa, a visão ou opinião exposta em determinado termo pode não estar condizente com o comumente aceito.
Para que o entendimento das transliterações esteja sempre melhorando torna-se importante que o leitor, não estando de acordo com alguma interpretação, insira no termo as suas considerações.
Vale salientar que muitas espécies brasileiras têm em seu nome científico referências a aves europeias ou do velho mundo, pois aqueles que as nomearam eram geralmente oriundos dessas regiões ou as suas referências eram aves dessas regiões. Aves do Velho Mundo comumente utilizadas são: o estorninho (sturnus, sturnella), o tentilhão (spiza), o tordo (turdus), e aves da família Laniidae (Lanio) que não ocorre na América do Sul entre outros.
Os epônimos são os nomes de pessoas que existiram, ou não, e que são a fonte da origem do nome científico ou do nome de um lugar ou coisa. A espécie
Hemitriccus iohannis -
maria-peruviana tem seu nome composto por um epônimo (
iohannis) que pode ser uma homenagem a João Baptista de Sá , coletor do Museu Goeldi que participou da expedição ao rio Purús em 1904. Essa explicação se torna importante pois, como no caso citado, não há certeza absoluta da sua origem.
Em alguns casos o nome do gênero foi cunhado em alusão a alguma espécie em particular ou mesmo como homenagem a pessoas e, portanto, pode não guardar nenhuma relação descritiva com as outras espécies incluídas no gênero (originalmente ou após mudanças de classificação).
Observação Importante
O significado dos nomes científicos das aves pode ser encontrado nas páginas das respectivas espécies.
Referências
-
-
-
-
-
Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica - disponível em
http://iczn.org/ acessado em 22/11/2013 às 14:20